25/10 • Confira o que rolou no show em Toronto e se prepare para o que te espera na temporada que chega ao Brasil em dezembro. Opine!
Por Gledson Araújo
Toronto. A expectativa da chegada da rainha estava por todos os lados. Nos jornais e TV, a notícia da separação de Madonna e Guy Ritchie foi explorada ao máximo. O assunto era ela! Com duas apresentações agendadas no Air Canadá Centre, Madonna passou como um furacão no último final de semana, deixando seu rastro para um público de mais de 100 mil pessoas, em dois dias.
Antes do início do show, em volta dos portões, vários stands de rádios faziam a alegria de quem passava por perto para comprar uma lembrancinha na “banca” da tia Madge. As filas para levar alguns dos produtos - que iam de chaveiros a agasalhos de manga longa - não paravam de aumentar.
A platéia tinha horário certo para entrar no estádio; às 19h os portões deveriam ser abertos para o espetáculo que estava marcado para as 20h, mas bem antes disso, às 15h, já havia fãs esperando no local. Tadataka Doi, 38 anos, era um deles. Funcionário de uma rede de hotéis no Japão, desde os 18 anos, ele acompanha o trabalho da cantora. “Já assiti a quatro turnês de Madonna: Who’s That Girl, The Blond Ambition, The Girlie Show e Confessions Tour”, revela o fã. “A melhor, até agora, foi a Confessions”, garantiu Tadataka.
O show
Sem qualquer tumulto, pontualmente, às 19h a organização do evento deu acesso ao local do show. Famílias inteiras, casais, jovens e drag queens entravam no clima, enquanto aguardavam a chegada da Diva.
Com pelo menos 40 minutos de atraso, as luzes se apagaram. Começava o show da Rainha do Pop, que por mais de duas horas seguidas, divididas em quatro blocos, faria a platéia pular e cantar ao som de hits como “Like a Prayer” e “La Isla Bonita”.
Logo de cara, em “Sticky & Sweet Tour”, Madonna leva seus fãs a percorrer uma fantástica fábrica de doces, por meio de gigantescos telões que formam um cubo. Ele começa, então, a ser dividido em pequenos pedaços num surpreendente efeito visual. Madonna surge sentada num trono e o estádio inteiro vibra, a energia da multidão parece contagiar a Rainha do Pop, que executa seus movimentos com vigor e precisão.
Diversão garantida
No primeiro bloco do show, chamado Pimp, Madonna volta ao seu estilo dominatrix. Embalado pelos sucessos do novo álbum, Hard Candy, a estrela traz uma roupagem nova a sucessos antigos como “Vogue” e “Human Nature” - este último conta com projeções da Princesa do Pop, Britney Spears.
O espetáculo visual pode ser definido, depois de Madonna, como o ponto forte de “Sticky & Sweet Tour”. A estrela fala pouco durante a apresentação e segue à risca a ordem marcada de cada passo. Não há muito improviso. O show de imagens e efeitos gráficos nos telões funcionam como um atrativo a mais, enquanto a Diva troca de figurino.
No bloco anos 80, Madonna surge moleca, usa short esportivo que realça suas pernas e pula corda como uma menininha - a estrela completou 50 anos recentemente. Em “Into the Groove”, Madonna coloca os fãs para cantar o refrão da música, interagindo com quem está próximo ao palco. Outro destaque fica por conta da faixa “She’s not me”, onde a cantora exibe as várias imagens que criou durante seus 25 anos de carreira e brinca com manequins que lembram as fases “Material Girl” e “Like a Virgin”, por exemplo.
O bloco cigano promete sacudir o público brasileiro. Este pode ser descrito como o momento mais latino do show. Madonna surge em meio a um cilindro, envolvida num manto negro que lembra o clipe de “Frozen”. A cantora vai do som melacólico de “Devil Wouldn’t Recognize You” para a batida agitada de “Spanish Lesson”. “Hablas español?”, seduz ela.
Em “Miles Away”, Madonna provoca a reação da platéia e parece dar uma alfinetada no ex-marido, Guy Ritchie. “Essa música é para aqueles emocionalmente retardados”, ironiza. “Eu preciso de companhia”, exclama a diva. Madonna encerra o bloco cantando uma das canções do filme Evita, “You Must Love Me”. Nessa hora, o público se rende e aplaude, quase sem parar, a performance suave e consistente de Madge.
Perdendo a liga
Tudo parecia ir muito bem até que o show perde um pouco do ritmo. Madonna carrega nas guitarras no último bloco e deixa os fãs confusos com a quebra no estilo apresentado em “Sticky & Sweet”. A mensagem política, com imagens de guerra, fome e um claro apoio ao candidato Barack Obama, de fato, fazem o doce de Madonna perder um pouco da liga.
Com exceção de “Like a Prayer” e “Give it to Me”, que ganham remixes hiper dançantes, a estrela explora o que aprendeu nas aulas de guitarra e procura dar um tom mais “Rock and Roll” ao show. Ao final, Madonna se despede do público ao melhor estilo anos 1980, com projeções que lembram os jogos de vídeo game da época. “Game Over” surge nos telões, indicando que chegou o fim da diversão.
Curiosidade
A turnê “Sticky & Sweet” faturou mais de 116 milhões de dólares apenas em sua etapa européia.